21.2.26

Girassóis de fim de noite

 Me encontrar nesse lugar é sempre lembrar que aqui sinto amor ou sinto dor. 

Anuais ou pontuais, nunca mais precisei escrever porque dizia a você minhas cores preferidas, meus traumas guardados - eu confiei em você. 

Não sou uma garota que romantiza sentimentos infames, nem que bate atrás de uma porta fechada, mas eu me abri pra você. 

Eu não queria ir embora, eu olhei tantas vezes a porta; eu vasculhei meus vazios, eu não me permiti sentir frio - eu me esquentei em você. 

Sendo feliz de dia e a noite choro em seus braços, meu algoz, não consigo esquecer o que você me fez. Você me apunhalou as costas e dilacerou minha alma, te amar é me odiar? Eu me questiono todos os dias quando te vejo. 

Nosso café amargo, na rotina que não é possível desvencilhar pelas obrigações dos 30 e poucos - fico aqui me revirando e me contorcendo por dentro, você não vê mas sente. E também sofre. Se precipita e traz esses girassóis desesperados cantarolando algo que não consegue dizer. Shame.

Sofre porque amadurecer dói, é como sair da casca - ser descoberto também machuca, machucar também machuca. É impossível acreditar que 8 anos foram mentira, mas a menina dos meus olhos morreu tem duas semanas. 

Ainda amo você, mas e agora? 

Depois de feito, feito está.

A dor não é nova, só a situação. 

Eu vou sobreviver outra vez.

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