25.4.17

Existe vida além de você

Eu queria uma fala bonita pra te hipnotizar como há 5 meses atrás eu fazia, quando meu amor transbordava em ti em dizeres de toques e de ações. 
Eu queria aquela viagem que o mar embalava areia em teus crespos 4C , onde podia acreditar que enfim, alguém me amou como eu amei; e eu não precisava mais guardar tanto o que sinto pra não demonstrar fraqueza.
Eu queria a guarda aberta e todos os militares vasculhando juntos sem precisar fazer alarde e assustar alguém, porque não tinha mais ninguém com medo. 
Eu só queria você em todo instante. 
Não era difícil perceber, Denise disse que essa fase de querer também passa; choro 3 dias e tudo volta ao normal. 

E está tudo bem, eu quis muito quando você era nada e hoje eu preciso ser tudo o que eu mais quero. 
Outra vez. 

15.2.17

Itaoka

Hoje dormimos de costas um pro outro.
E tua pele parecia tão distante quanto o Brasil do Japão, o teu calor não me esquentava mais e o desconforto tomou a gente.
Hoje dormimos sem os corpos entrelaçados.
Tu me tocou, eu te toquei - nos sentimos e chegamos ao fim. Dos beijos, abraços, do gozo e de nós.
Chegamos ao fim pois o silêncio invadiu nossas bocas e cada palavra saia mais e mais fraca, cheia de tentativas já cansadas de tentar criar diálogos.
Dormimos assim, separados - quando esse cansaço tomou a gente e não havia mais nada a ser feito - porque acabou; e tudo que fizemos e deixamos de fazer não se era mais esquecido. Tudo vinha à tona.
Outros corpos já haviam nos tocado, outras pessoas nos experimentado é só estávamos ali porque a saudade do passado, costume de nós, abriu nossa guarda. 
E dormimos, à um palmo de distância que mais se pareciam uma vida - e amanhã dormiremos sem um ao outro.
Para sempre. 

26.10.16

O início final

Porque quando tuas mãos me chamam pra voltar, meu corpo todo se inclina em direção à você. Porque quando eu grito para que você se cale e não se vá - teu corpo se inclina a mim. Porque todas as vezes que não quisemos, fizemos. E todas as vezes que não podíamos também fizemos. 
Eu te odeio, porque antes deu sentir esse ódio que dilacera meu estômago eu penso em como você se sentiria se eu dissesse que não quero mais esse dragão com cheiro forte, que transforma tudo em nada e eu fico aqui; varrendo as cinzas para que você se sinta mais feliz em um local mais arrumado para você. Eu não sinto mais vontade que não seja a vontade de te fazer ficar. E antes deu pensar em te falar tudo isso, novamente me importo com todas as coisas que sente e se alguns milímetros desse sentimento atingem alguma camada de algo que possa, enfim, me afetar. 
Eu te odeio, porque antes de desistir - tu novamente vem e quando vem, não hesita em agir daquela maneira que corrompe os bons costumes de qualquer ser humano tradicionalista. Derruba igrejas, associações políticas. Você é a crise econômica que me faz gastar todo o meu dinheiro de investimento, aquele partido de direita que eu pregava o ódio e hoje distribuo panfletos na Leopoldina para aparecer.
Você é guerra dentro do meu amor próprio e quando olho no espelho os vidros se quebram e eu não enxergo nada - até me desesperar e você trazer os óculos com aquele rosto de quem amacia a carne pra depois comer.
Eu te odeio, porque antes mesmo desse sentimento vir eu já te amei tantas vezes e enquanto escrevo sinto minhas veias dopadas do afã que é te enxergar ao meu lado - orgulho, decepção, felicidade e amargura. O equilíbrio total da natureza em meio ao apocalipse, o atentado que une Síria e Estados Unidos. E destrói tudo para que pessoas demonstrem o seu melhor em unificar nações.
E como te odeio, porque esse ódio ao mesmo tempo que me mata, me agrada. Porque quando acordo e meus braços estão prontos pra te enforcar, sinto teus crespos em minha pele outra vez e tudo se desfaz.
Fogo, cinzas.
Eu te odeio porque te amo demais.

7.10.16

6

eu vivi uma história de amor
início meio e fim
eu vivi o começo, teu carro, tua atenção, teu sorriso e dias de amor intenso, as descobertas, os charmes e jogos...meus reparos em tuas manias, defeitos e prisões. aquelas que assim que fechamos os olhos nos vem a mente, remetendo a pessoa aquele jeito único de virar o rosto, ou levantar da cama, por exemplo.
eu vivi o meio, teus conhecimentos e ensinamentos, tuas preocupações comigo, teus desejos e inícios de planos em dois e me detenho bem devagar para falar do meio, pois ele define o fim de toda essa história - eu vivi uma história de amor quando teus braços me abraçavam a noite quando eu queria mas não sabia dizer, quando meu corpo já te conhecia e se guiava por tuas elevações. eu vivi uma história de amor quando nossos gestos e falas já eram iguais, sons iguais, músicas nossas, animais nossos, projetos nossos; ir em qualquer cômodo da casa juntos e o momento mais anormal que era ficar distante de você, pois era o mesmo que ficar distante de mim. eu vivi uma história de amor quando minha casa não era mais minha, onde meu conforto se tornou tuas saboneteiras onde minhas águas acumulavam em tuas roupas sob medida. eu vivi quando minha estabilidade financeira acabou e quando eu acordava meus cigarros já estavam comprados, meus remédios de garganta calculados e tua mão, tua mão sempre segurando meu pescoço para não cair diante aos limbos da vida, nossa vida.
eu vivi os perdões, as juras, as verdades mais doidas. profundeza.


e eu vivi o fim, teus medos, minhas inseguranças, tuas saudades de coisas não resolvidas, teu passado desgraçado e o meu ego tão exacerbado para não admitir abaixar a cabeça, depois de me ensinaram a segurar. eu vivi o fim quando cada cômodo dessa casa que não tinha mais família, só eu e você e não mais você - mas quando a casa te chamava, dia tarde e noite. quando teu cheiro estava na toalha que eu me secara, nas roupas que Deus, já lavei demais e não sai, dos cachorros chorando quando o corredor acendia a luz e eles, assim como eu, achavam que era você. todas as malditas noites.

eu vivi quando sai desesperada pela marechal deodoro, com aquela garrafa de vinho na mão, aceitando, renegando, aceitando, regenando. visão turva, olhos inchados, chuva, mãos segurando o pescoço para não cair e desaguar. oceano. 


eu vivi uma história de amor quase esquecendo que histórias acabam.

sobrevivi a uma história de amor.



"..você deságua em mim e eu oceano, esqueço que amar é quase uma dor"

5.10.16

Volta

Volta pra mim, antes que eu esqueça seu cheiro e suas piadas fora de ordem e cronograma. Volta pra mim porque eu preciso sentir vergonha por você, pelas coisas engraçadas que você faz, porque sua intensidade ninguém mais tem; porque seu cheiro ninguém mais tem, porque sua mão tão macia e dura ainda toca em mim quando estou bêbada as 01:16 depois de ter ido de pijama comprar mais bebidas e cigarros pra me afundar no vazio existente, aquele que eu me equipava dentro de tuas saboneteiras tão cheirosas. Aquele vazio que eu me afundava dentro dos teus cabelos crespissímos que eu tanto amo e tanto adoro e tanto devorei nesses meses em que você estava aqui todos os dias. Na minha antiga casa, na minha expulsão, na minha nova casa, nesse colchão da casa nova que ainda, mesmo depois e ainda é cheia de você.
Eu não quero te esquecer, porque te esquecer consiste em reviver, em não ouvir mais minhas músicas preferidas, em não rir tanto, em não gritar quanto a felicidade enchia a minha garganta e só você sabia como criar uma sintonia pra que não ficasse tão esquisito e eu parecesse uma criança pedindo socorro. 
Volta, porque essas noites são cada vez mais silenciosas e não tem sono, não tem filme, não tem animais que tanto amo pra me acalmar quando novamente começo a hiperventilar, assim que minha mão se estica e eu não sinto sua pele alérgica, macia, preta e tão mas tão chamativa. 
Eu não tenho ninguém.
Já deitei aqui, nesse mesmo local onde você dormia tão calmamente, como se a vida fosse tão certa pra nós - com tantos outros. E ninguém tem essa mão, ninguém tem sua sonambulice, ninguém teu seu mau hálito cheiroso, ninguém tem seu cabelo amassado, ninguém existe em você porque você sou eu - naquela parte, lembra? aquele parte que sempre existiu em mim e que você me entregou e pegou e levou e sumiu e me deixou, assim vazia, assim só - coberta dessa água salgada, desse mar, poseidon que não destróiu - só afoga. Eu me afoguei em você mesmo quando você me emergia. Eu me deitei aqui com tantos outros vocês que tentei ajeitar no seu jeito e quando achava que era você e dizia seu nome, eles iam - ou iam ou tentavam me acalmar quando eu gritava: Meu Deus! Vai embora! Não é você e nunca será você!
E chorava e gritava, eu não aguento mais quebrar tudo e comprar novamente as coisas que eram suas, eu joguei tua gaveta fora e sabe aquele buraco? Eu deito nesse buraco e te chamo e te imploro pra que volte, antes que eu morra dentro de mim mesma e nunca mais volte e não me encontre e não me ache e não me veja. Eu não me enxergo mais.
Volta, porque toda vez que visito o Orelha (nosso animal resgatado, lembra?) ele procura você, antes mesmo que eu mesma olhe pro lado achando que você já está preparando aquele sachê gostoso para agradá-lo. Antes mesmo de eu falar pra você não fazer isso porque isso e aquilo e tantos outros e ser ignorada e ele amar, e ele deitar e mostrar pra mim o quanto você foi importante porque ele, assim como eu - nunca amou alguém tanto assim. Nunca quis alguém assim, no passado presente futuro das vidas e outras vidas. 
Volta, porque meus olhos não desincham nunca, porque a dor não acaba nunca, porque a comida está estragando, porque a cama não se dobra mais, porque o Bruce só dorme e não tem você pra lamber. Porque essa casa só te chama, porque a pia entupiu e eu não consigo mais escovar os dentes, porque eu saio deito e durmo, porque a alegria - aquele que embala a continuação da felicidade não vêem mais. 
Eu sai, eu dancei, eu bebi eu bebi eu bebi e bebi e bebi e os gostos estão diferentes, ta tudo tão triste sem você.
Eu queria dizer, antes mesmo de tudo se apagar - que peço perdão, por não ser nada do que sempre te orgulhei em ser - porque todos os porquês não precisam mais de justificativa.
Porque você não volta?