13.7.14

Devagostenia

O que eu temia com todas as forças aconteceu; e da mesma forma e força que essa intensidade veio, ela se foi.
Porém, era esperado que isso acontecesse de qualquer forma... Minhas desistências e pessimismos e o tão esperado fim de tudo que se inicia em minha vida, somados aos seus medos, inseguranças e regressões que misturam-se em desilusões e por fim a gente destrói tudo. 
Eu destruo a mim mais uma vez e dou o revólver para você carregar com as balas que fui te dando acreditando que, você jamais atiraria... Confiei demais em nossas semelhanças sem lembrar que eu sempre faço questão de me machucar, deveria esperar o mesmo de você - mas a hora certa para pensar nessa hipótese foi justamente a hora que você atirou, atirou e atirou..
Confesso que, diferente de todos os meus desamores que sempre ao irem embora me deixavam com restos de momentos, sentimentos e coisas descartáveis.. Você levou de mim, algo em mim que eu não sei denominar; talvez alguma esperança.. Algo que faltava e te era necessário, que me deixou em falta, com um vazio - não um vazio da consequência de estar só, mas sim de não achar algo que preencha o eco dos meus gritos interiores todas as madrugadas e manhãs... Se você acha isso exagerado ou dramático demais eu não sei; e não me importa mais o que você acha - você já me afetou demais. Talvez até tenha passado por sua cabeça que escrevo justamente para te fazer repensar o que disse, se desculpar e voltar... Mas na verdade, faz tempo que desisti de encantar alguém com o que escrevo, meu bem.
Eu já quis muito que alguém me amasse através ou por algo que escrevi. Eu já quis muito e agora eu não quero mais nada.
Nem você eu quero mais.
Luto todos os dias para tornar essa frase real em minha vida - porque eu sei que você luta também; e que essa luta é para gostar de alguém.
E comigo não aconteceu pelo simples fato de que nem eu gosto de mim, e também não acredito que alguém possa gostar um dia... Como poderia te proporcionar algo que não sinto?  Ou criar um vínculo duradouro se não acredito neles? Jamais poderia te vincular a mim ou fazer com que você me amasse um dia, por exemplo. Eu não acredito no amor, acredita? Estou tão afogada nesse tsunami que aumenta pouco a pouco.. Salvar você de toda essa maré, cheia de ondas fortes seria impossível - seus problemas de rejeições, atrasos e desconfianças é pouco comparado à probabilidade da minha onda nos levar e nos afogar... 
Como um cego guia o outro?
Mesmo assim, ainda penso que não deveríamos ter destruído tudo de forma tão avassaladora - mesmo sabendo que o início de um erro sempre termina em caos. E que ter me apaixonado pelo teu caos, não foi garantia para que o meu suportasse as tempestades, avalanches e furacões que vieram... Mesmo que elas não durasse por tanto tempo.
Nada dura por muito tempo e ter acreditado nisso com você foi jogar o tempo no vácuo do desperdício, porque eu deveria ter só guardado algo bom de você, de nós.. E não sentir mágoa alguma por algo que você fez ou disse.
Mas assim como hoje eu vi uma criança ir acalmando o choro em soluços cada vez mais lentos até por fim, parar - logo depois de seu pai lavar seus machucados por ter caído da bicicleta e dizer "nenhuma dor é para sempre". Eu me levanto, lavo os joelhos, mãos e rosto - enxugo as lágrimas e começo acreditar que é verdade, mesmo não querendo.
Pensar diferente mesmo que não queira, pensar até querer que seja ..e pensar até ser de fato, diferente.

E quando for diferente, eu te agradeço por ir e me fazer descobrir que em meio a tantas desistências - posso decidir a não desistir de mim.

2 comentários:

  1. O pior fim é aquele em que não acaba.
    GK

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  2. Olá, você sabe me dizer o que significa devagostenia??

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